Excesso de vida adulta

31/10/16

Grupo de amigas no whatsapp... E a conversa que rola é sobre a janta que vai acontecer logo mais, naquela noite.

Elas são amigas há mais de 15 anos, se conheceram na escola, em uma fase da vida em que tudo vira diversão. Hoje, cada uma tem suas responsabilidades, hoje são adultas!

E é no whasapp, conversando sobre o encontro que vão ter logo mais, que declaram que estão com saudades de dar umas gargalhadas, de falar algumas besteiras, de não pensar em nada sério... porque estão cansadas da correria do dia a dia, porque o trabalho está estressante, porque os problemas não vão embora, porque precisam fazer muitas coisas... e aí determinam que precisam combater o “excesso de vida adulta”.

Esse excesso aflige muitas pessoas hoje, e ninguém aguenta por muito tempo viver com isso sem explodir de um jeito ou de outro.

E o que exatamente significa excesso de vida adulta?

Significa ter responsabilidades demais, se exigir demais, querer ser perfeito e se frustrar por não conseguir!

Significa viver uma vida que não é sua, fazer algo que não escolheu, não ver propósito no que faz.

Significa chegar à excelência profissional, ter amigos influentes, um currículo extenso, mas por vezes sentir um vazio... e se perguntar se realmente está fazendo a coisa certa.

Significa estar em casa e ficar pensando no trabalho, estar no trabalho e ficar pensando no que tem que resolver em casa.

É não se permitir errar, chorar ou sorrir com espontaneidade... sem medo dos possíveis julgamentos... é pensar demais no que os outros vão pensar.

É viver aprisionado em um padrão que não escolheu, mas acabou aceitando, é esquecer de como a felicidade é simples.

É não perceber mais as belezas daquele caminho que se faz todos os dias, é nem notar aquela pessoa que nos olhou querendo nos cumprimentar, não porque nos conhece, mas porque nos encontra todos os dias, no mesmo lugar.

É esquecer aquele sonho que tínhamos quando éramos crianças, deixar para lá as coisas que nos fazem bem.

Enfim, é viver no piloto automático, com mais momentos de irritação do que de alegria.

E como combater isso?

Certamente não é deixando de se comportar como adulto, ou esquecendo suas responsabilidades, longe disso! Tudo que precisamos é de equilíbrio, é priorizar o que nos faz bem... e isso será diferente para cada um.

Podemos nos livrar do “excesso de vida adulta”, se permitindo de vez em quando fazer algo que a muito tempo não fazemos.

Seja tomar um banho de chuva, ter um ataque de riso descontrolado (só não façam isso no trabalho), reservar um tempo para encontrar aquele amigo de longa data, que há tempo não consegue visitar.

É necessário também aceitar que a perfeição não foi feita para nós, seres humanos, e que vamos errar de vez em quando, o que não quer dizer que seremos menos competentes ou menos capazes por isso, seremos apenas humanos.

E, além disso, é fazer tudo o que fazemos, só que de um jeito diferente...

Você percebe as pessoas que encontra no caminho para o trabalho? Quem são? O que fazem?

Você sorri simplesmente porque tem mais um dia pela frente? E isso é maravilhoso!

Você tem que trabalhar? E resolver muitas coisas? Que ótimo! Sinal que alguém confia e conta com você!

O dia foi cheio e você está cansado, afinal não foi um dia fácil...Pense que dádiva poder ir para casa (já que você tem uma casa), tomar um banho, estar com as pessoas que são importantes para você.

Isso tudo não deve passar despercebido... Porque se passar, ficamos no piloto automático, vivendo no excesso de chatice e de estresse.

Eu não quero isso para mim e agradeço por ter amigas que me ajudam a perceber que a vida pode ser muito divertida mesmo depois do tempo de escola, mesmo tendo muitas coisas sérias para fazer... Tudo pode ser mais leve, mais legal e cheio de sentido, basta saber procurar isso nos detalhes do dia a dia.


Marina Pozzer

Psicóloga e Coach
Diretora da Virtude Consultoria
Atua como consultora nas empresas, facilitadora de cursos e treinamentos
Sua missão é contribuir para tornar as pessoas o melhor que podem ser.