Filhos não são desculpa

10/12/16

Filhos não são desculpa! #2

 

Culpa! Essa palavra permeia o mundo de muitas mães, eu mesma já escutei milhares de vezes e, por isso, me questiono: por que tantas mães repetem essa palavra? Por que as mães sentem culpa? E, me arrisco a dizer, por que mães sentem culpa e os pais não?

Temos motivos para nos sentir culpadas? Será que temos? Em cima desses questionamentos escrevo este texto.

Certa vez, em uma conversa entre amigas e clientes, uma delas, grávida de seu primeiro filho, foi questionada pela outra como daria conta da loja, da vida pessoal e do bebê. E concluiu dizendo: “eu não tenho tempo para me dedicar a um filho, mesmo meu marido querendo muito e eu já estar com uma idade avançada”. Conversa vai, conversa vem, logo a pergunta foi direcionada a mim: “e você, Thais, como dá conta? A mãe gestante logo foi falando que ela não sabia como ia fazer para dar atenção para o bebê. Esse foi um dos episódios que presencie de uma mãe aflita.

Uma outra situação que marcou bastante foi de uma mãe, ex-colega de graduação, que chegou chorando até mim e disse que se sentia muito culpada por não conseguir estar com sua filha o tempo todo, de deixar de sair com ela e o marido para se dedicar a psicologia.

Então depois dessas e de tantas outras situações me pergunto: eu me sinto culpada?

Não!!! Não me sinto. E digo mais, parei de me sentir culpada quando, em plena sessão de terapia, me dei conta de que usava minhas filhas como desculpa por cada coisa que não conseguia fazer. Então comecei a refletir.

Minha geração ganhou de presente e pode vivenciar o que a geração anterior começou a buscar: autonomia feminina. Essa autonomia nos tornou diferentes da maioria de nossas mães, que puderam estar com seus filhos por muito tempo, uma vez que, em sua maioria, eram donas de casa.

Mas nós não. Nós nascemos e fomos criadas para conquistar nosso espaço na sociedade e competir com os homens, e nossos filhos já estão acostumados com nossa vida corrida. Nós tínhamos nossas mães em casa para esperar com nossas refeições prontas, já nossos filhos não sabem o que é isso, eles estão acostumados com suas mães que precisam trabalhar fora, estudar e já sabem que precisam nos ajudar nisso.

O que me faz não sentir culpa é que não abro mão de algumas coisas que fazem parte do papel de mãe: contar uma história, mesmo estando com a cabeça cheia de preocupações e dúvidas, fazer um bolo no sábado e poder ensinar essa receita para as meninas, trilhar uma corda no domingo, fazer pipoca para a filha e seu namorado, ver um filme com o marido no sábado à noite, mesmo que na metade do filme eu durma. Tudo isso e muito mais fazem com que eu não me sinta culpada. Por que me sentiria culpada por algo que a sociedade moderna ou nós mesmas buscamos? Sei que dou o máximo de mim para ser uma excelente mãe! E, por não sentir culpa, nunca escutei a frase “você não tem tempo para mim”!

Fica a dica: Não se culpe, a culpa não é nossa, mães. Busque fazer coisas que julgamos ser de mãe, porém lembre-se que somos mães modernas e criamos filhos modernos! Nossas meninas aprendem mais do que brincar de bonecas! Nossos meninos precisam aprender a “brincar de bonecas”, pois no futuro eles serão os pais que vão ajudar a criar e educar os nossos netos, filhos da sociedade moderna!

No próximo texto, vou responder umas das perguntas da minha pequena: “Mãe, é muito difícil ser mãe?”

 

Thais da Silva Scremin

Psicóloga pós graduada em Gestão de Recursos Humanos,

 Sócia Diretora na Virtude Consultoria

Atua no desenvolvimento de pessoas e organizações, como facilitadora e consultora.

Sua missão é desenvolver talentos e aprimorar políticas de gestão,

                                                                                                 tornando ambientes corporativos mais humanizados.