Vontade: quem tem vai longe

30/08/16

Muitas vezes sou questionada se um profissional pode ou não desenvolver determinada competência.

Essa é realmente uma boa pergunta e a resposta é sempre a mesma: DEPENDE.

Sim, depende de muitos fatores. Vamos tomar como exemplo um profissional que está em uma função que exija iniciativa, e ele não possui essa competência. Será que, se ele passar por um treinamento e acompanhamento, poderá desenvolver essa competência?

Os fatores envolvidos são vários. Vai depender de traços de personalidade, do sistema de crenças que essa pessoa desenvolveu ao longo da vida, das circunstâncias atuais, da empresa em que trabalha e da sua vida pessoal também.

E isso tudo pode ser favorável ou não.  E se por acaso não for?

Será que é possível desenvolver iniciativa mesmo que a pessoa tenha aprendido ao longo da sua vida a ser mais passiva?

É aqui que depende!

Mas do quê?

Salvo exceções (como é o caso de alguns transtornos psicológicos) o fator que mais interfere no desenvolvimento profissional é a vontade.

Se não houver o desejo, nada mudará! Sem vontade não há comprometimento e sem comprometimento não há mudança.

Se a passividade estiver incomodando e a pessoa desejar... Sim, ela pode se transformar em alguém com mais iniciativa. Isso vai demorar, vai exigir muito esforço, muita repetição e sempre com o risco de ter recaídas. Por isso, a persistência será fundamental.

Caso a pessoa perceba que se desenvolver em determinado aspecto é algo importante para ela e engajar-se nisso, é possível que haja uma mudança positiva.

Afinal, se aprendemos a ser de um jeito podemos aprender a ser de outro.

O que acontece é que hoje encontramos nas empresas uma quantidade considerável de pessoas que não querem mudar, que não desejam se desenvolver e que trazem em seu discurso frases como:

Deixa assim, que está bom.

Eu sou assim mesmo.

Não sou eu que tenho que mudar, são os outros.

Essas pessoas, se questionadas, até afirmam que querem aprender novas competências, mas, quando se deparam com a dificuldade e o esforço que isso exige, desistem.

  • Só querem se for fácil.
  • Só querem se for rápido.
  • Só querem se não exigir esforço.

Só que não é simples nem rápido e exige muita força de vontade.

Quando falamos em empregabilidade e desenvolvimento profissional, um dos fatores que diferencia um bom profissional e que as empresas buscam e valorizam, certamente é a vontade.

É a vontade que nos faz persistir, que nos faz buscar, que nos faz enfrentar o medo e a dificuldade. Ter vontade significa possuir um desejo intenso!

Mas vontade de quê?

Vontade de ser melhor, de saber mais, entender melhor o processo, a tarefa e como chegar ao resultado. Essa vontade faz parte da pessoa que é interessada, que busca conhecimento, que não é conformada, que tem sede de conhecimento e um desejo intenso de aprender mais e mais.

Responda para si mesmo:

  • Quantos livros você leu nos últimos 3 meses?
  • Quantos cursos você fez nos últimos 6 meses?
  • Quantos artigos você leu nos últimos 15 dias?
  • Quando foi a última vez que você pesquisou sobre sua área de atuação?
  • Há quanto tempo não vai a uma palestra?
  • Quando foi a última vez que solicitou um feedback sobre seu trabalho?

Ah! Você está muito ocupado? Anda muito cansado? Já faz o bastante indo para a faculdade? Já trabalha o dia inteiro?

Isso tudo pode ser verdade ou pode ser uma grande desculpa. Você sabe a resposta.

E se desenvolver é uma escolha, você tem o direito de não querer mais do que já tem, de não querer mudar. Tudo bem se essa for sua escolha e você estiver feliz com isso.

A questão é que eu me deparo todos os dias com pessoas que vivem a reclamar “a empresa não me valoriza”, “o curso era ruim, por isso não aprendi nada”, “não tenho oportunidades”. Só que diante das mesmas circunstâncias, na mesma empresa, no mesmo curso, alguém foi reconhecido, aprendeu muito, enxergou e aproveitou oportunidades... simplesmente porque quis, porque teve vontade.

O meu trabalho consiste em desenvolver competências nas pessoas e, quanto mais faço isso, mais acredito que o sucesso e a realização, não dependem de sorte, e sim do quanto você quer se comprometer, ou seja, o sucesso é apenas uma consequência.


Marina Pozzer

Psicóloga e Coach
Diretora da Virtude Consultoria
Atua como consultora nas empresas, facilitadora de cursos e treinamentos
Sua missão é contribuir para tornar as pessoas o melhor que podem ser.